19
fev
11

Peça baseada em texto de Caio Fernando Abreu estreia no Sesc Pompeia

O espetáculo ‘Lixo e Purpurina’, baseado em livro homônimo de Caio Fernando Abreu, estreia no próximo dia 25 no Sesc Pompeia. A peça fala sobre descobertas, solidão e dor na busca de um jovem pelo autoconhecimento em terras estrangeiras. Mais informações pelo telefone: (11) 3871-7700. Data: 25/02/2011 a 03/04/2011 – Local e horário: Rua Clélia, 93 – Perdizes, sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 21h.

Nota publicada originalmente publicada aqui.

04
fev
11

Estreia: Malu de Bicicleta

Luiz Mario é um empresário paulista que tem um defeito incorrigível: é mulherengo. Ao visitar o Rio de Janeiro, é atropelado pela bicicleta de Malu. A partir desse contato, nasce uma grande paixão. O filme é baseado no livro homônimo de Marcelo Rubens Paiva. Censura: 14 anos.

Local e horário: Horários e circuito a conferir.

Nota publicada originalmente publicada aqui.

28
jan
11

Música e literatura na Biblioteca São Paulo

A Biblioteca São Paulo, em Santana, promove no dia 30 o sarau ‘Música é Literatura’. No evento, o público poderá realizar performances diversas utilizando a arte como instrumento de leitura criativa. Mais informações pelo telefone: (11) 2089-0800.

Serviço:

Data: 30/01/2011 a 30/01/2011

Avenida Cruzeiro do Sul, 2.630 – Santana, sábado, às 14h30.

Nota originalmente publicada aqui.

27
jan
11

Lan Lan no Sesc Consolação

A cantora Lan Lan se apresenta no dia 31 no Sesc Consolação, encerrando a temporada de shows ‘Sesc Brasil’. A ex-percussionista da banda de Cássia Eller – e atual integrante do grupo Moinho – mostra repertório próprio e canções de outros artistas. A entrada é gratuita.

Mais informações pelo telefone: (11) 3234-3000.
Data: 31/01/2011.
Local e horário: Rua Doutor Vila Nova, 245 – Centro, segunda, às 19h.

Nota originalmente publicada aqui.

13
dez
10

A avó da comunidade

Dona Ivani, 80, produzida para ia à igreja

 
*por Cristine Bartchewsky

Só, mas sem nó

Toda vez que alguém passa por dona Ivani na rua de sua casa ela logo diz: “Vamos!”, como se quisesse traduzir a movimentação frenética da vida ao seu redor. Caminha vagarosa pela rua sem saída atenta às vizinhas que conversam no portão, a um papagaio falante no jardim de rosas, ao pintor do vizinho de frente. Avisa a amiga da casa próxima que chegou carta e comenta algo sobre o tempo.

Viúva há muitos anos, Ivani Silva de Souza vive só em uma casa relativamente grande e possui um inquilino nos fundos – o qual espera substituir brevemente em razão de alguns problemas. Tem uma filha e duas netas que a visitam sempre e insistem para que venda o imóvel e junte-se à família. Sente-se só, mas prefere a solidão à bagunça de ter outras pessoas espalhadas pela casa.

Aparentemente tem uma rotina tranqüila, como é no geral entre pessoas de sua idade. Beirando os 80 anos, revela que não sente nenhum tipo de dor, não tem problemas de saúde – só a pressão andou subindo um pouquinho – e dorme muito bem. Gosta de ler a bíblia e só liga a televisão para preencher o silêncio. É vaidosa. Pinta o próprio cabelo e quando sai se arruma toda. Gosta de batom. Mas tem que ser batom bem vermelho!

Pernambucana, nasceu e se criou em Maraial, perto de Recife e Garanhuns. Conta que o pai era o mais rico fazendeiro da região, que tinha um engenho, era usineiro. Saiu de lá aos 18 anos acompanhada pela cunhada e, assim que chegou a São Paulo, se casou com um primo. Voltou algumas vezes à cidade natal para visitar a família que deixara para trás. Mas após a morte dos pais não viu mais sentido na viagem.

Navegante destemida

Dona Ivani é como o mar: ora calma, ora agitada. Sempre gostou de nadar, porém os pais achavam ruim quando se banhava no rio cheio de pedras atrás da casa lá em Maraial. Ao lembrar isso, menciona certa vez que concedeu entrevista a uma emissora de TV. Estava num clube com amigas de um dos grupos de terceira idade que frequenta e foi bastante aplaudida pela desenvoltura na água. Contou que assim que viu a piscina colocou o maiô e mergulhou, boiou e nadou muito.

Mas a personalidade forte da jovem octogenária não se detém em seu aspecto comunicativo e sociável. Nas eleições de 1952 enfrentou um sargento que queria prendê-la por estar “fazendo política”. Ela explica que era proibido fazer boca-de-urna e que durante a juventude foi muito engajada em questões políticas. No mesmo ano foi mesária. Hoje não que saber do assunto. “Me abusei, enchi o saco da turma! Digo, não vou votar mais!”.

Ainda jovem, gritou com um rapaz que intimidava seu irmão com um canivete. Ao confessar a peripécia sua expressão foi modificada. Repetia, com “sangue nos olhos” e caretas bravas as palavras que esbravejou no episódio, como que revivendo-o. O resultado é que levou o moço para a delegacia. “Aonde eu via briga de homem com homem eu ia em cima. Minha mãe dizia que eu não levava raiva para casa, resolvia na rua”.

Por outros olhos

A luz da sala iluminava pouco e, nas paredes, muitos quadros religiosos estavam pendurados. Havia um enorme tigrão de pelúcia (aquele do ursinho Puff) e algumas coisas no sofá, como uma caixa grande com muitas roupas. “É tudo doação, sabe? Quer refrigerante?”.

Todos os anos, quando vem chegando o Dia das Crianças e o Natal, faz bonequinhas de pano para as crianças da comunidade. “As cabeças eu ganho tudo, tem um saco assim ‘ó’, só de cabeça”. Em meados do mês de setembro, dona Ivani dá início à confecção de bonecas. Algumas recebem toquinha vermelha e, então, nasce o Papai Noel. Dezenas deles. Durante a missa as crianças recebem as bonequinhas e, segundo Nete, tem criança que chora de felicidade. O momento da entrega dos presentes é sempre um dos mais esperados pelos pequeninos nas datas especiais.

Nete trabalha na acolhida da paróquia e conheceu dona Ivani há dez anos, ali mesmo, e depois soube que ela morava na rua onde trabalha como diarista. “[Ela] tem uma bondade muito grande no coração. Faz muito favor, se bem que não é reconhecida, mas por Deus que vai ser” – declara. Revela que já encontrou a senhora debruçada sobre sacos e caixas na rua em busca de materiais que pudesse aproveitar para compor as doações.

Questionada sobre andar só pela rua de sua casa, responde que está fora de conversa fiada. Confidencia que não se sente à vontade em meio a assuntos frívolos, que as pessoas não estão dispostas a tratar de questões mais sérias, ou mesmo religiosas. Tem a sensação de que é invejada por se cuidar, ser vaidosa e segura de si. Mas não dá atenção, ou, como ela mesma diz: “Não dou cartaz”.

Fé, engrenagens da vida

Enquanto a missa corre, dona Ivani presta atenção a cada movimento, entoa cantos e agita os braços no ritmo da música. Um “Glória Jesus” sai da boca pintada de carmim. Unhas feitas, cabelos penteados. Os pés calçam sapatos de salto baixo e os bolsos do blazer preto trazem balas que chupa durante a missa. Também oferece às crianças que a chamam de avó.

Diz que o padre fala muito e parece impaciente – não dispersa. Mas não perde um culto. Vai religiosamente de segunda à segunda. Para ela, os princípios católicos têm grande importância. A religião significa mais que um momento para meditar sobre seus atos. Está além de ser apenas um modo de vida. É a própria vida observada, estudada e trabalhada dia-a-dia tendo suas lacunas preenchidas pela aplicação dos ensinamentos. Ou é como uma pedra que deve ser lapidada até chegar próximo de sua melhor forma. É a maneira com que dona Ivani lida com uma longa existência e a perspectiva dos anos vindouros.

13
dez
10

A liberdade vigiada e tida como direito

No livro “A imprensa e o Dever da Liberdade” o autor trata da questão inerente ao jornalista: a liberdade como direito para a prestação de um serviço à sociedade. Visto que o tema parece ter se esgotado em tantos livros, estudos e especulações, Eugênio Bucci procura trabalhar a partir de uma perspectiva diferenciada e mais profunda. Ele sai em defesa não somente da liberdade como dever, mas como um direito que deve ser exercido no mais amplo sentido do termo abarcado no jornalismo. E afirma que seu bom funcionamento depende tão somente da vigilância e da busca pela isenção. À parte isso, qualquer interferência ou posicionamento certamente o corromperá.

Para tanto, o escritor recorre a grandes pensadores e escritores, como Platão, Sartre, Saramago e Nelson Rodrigues, de quem empresta ‘O beijo no asfalto’ para usar como pano de fundo de uma intensa análise da postura profissional do jornalista. Também ilustra suas justificativas para o ponto em questão com trechos de reportagens, menção ao resultado da união de grandes conglomerados e o domínio do poder de governos sobre o que é produzido – manipulação, entre outros episódios.

Cada capítulo é composto por textos escritos entre 1997 e 2008 e tem como introdução ‘Por que o jornalista não tem o direito de renunciar à própria liberdade’. Após elucidar dúvidas acerca do objetivo do livro, o leitor acompanha relatos e diagnósticos das influências da indústria do entretenimento sobre o jornalismo em ‘… e o jornalismo virou show business’. Trazendo certa ironia na bagagem, Bucci promove a reflexão e escancara o que antes pertencia às entrelinhas quando examina a relação de um jornalista com um delegado, e faz contraponto entre arte e realidade em ‘A promiscuidade com as fontes segundo O beijo no asfalto’.

Em ‘Informação e guerra a serviço do espetáculo’ o autor coloca em pauta a fragilidade da verdade jornalística frente às ações de comunicação do governo americano antes da guerra contra o Afeganistão e o Iraque. Além de estudar como o discurso jornalístico perdeu suas características e se tornou uma fraude: o espetáculo ligado a outros interesses que não o público. Em contrapartida, em ‘Jornalistas e assessores de imprensa: profissões diferentes, códigos de ética diferentes’ a discussão se volta para a rixa entre as duas profissões díspares tratadas pelo sindicato como uma só.

No penúltimo capítulo, ‘Verdade e independência numa empresa pública de comunicação’, o autor aponta como e onde o governo se infiltra na comunicação e a toma como instrumento para propagar sua imagem e seus feitos, ferindo gravemente a essência da profissão. Também exemplifica, a partir de cases da Radiobrás, que tipo de postura deve ser adotada pelas empresas públicas de comunicação. E por fim, ‘A imprensa e o dever da liberdade’. Aqui, Bucci sinaliza a importância do exercício da isenção em coberturas relacionadas a movimentos populares e ao governo, além fazer uma análise sobre esse público de movimentos sociais e as matérias resultantes na mídia, de acordo com o público-alvo.

Eugênio Bucci é jornalista e professor doutor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi presidente da Radiobrás (de 2003 a 2007) e secretário editorial da Editora Abril.

Serviço
Livro: A imprensa e o dever da liberdade – A independência editorial e suas fronteiras com a indústria do entretenimento, as fontes, os governos, os corporativismos, o poder econômico e as ONGs
Autor: Eugênio Bucci
Editora: Contexto
Preço sugerido: R$ 27,00

13
dez
10

Longa (e um tanto caricata) trajetória de Assis Chateaubriand

Fernando Morais narra a trajetória daquele que foi um dos maiores arquitetos da comunicação no Brasil – Assis Chateaubriand, o Chatô. O império desse paraibano de Umbuzeiro foi construído sob o véu obscuro de práticas fraudulentas, principalmente no que concerne a assuntos financeiros. E o autor não se priva de transmitir ao leitor os pormenores da falta de ética do personagem. Contudo, essa abordagem adotada por Morais, além de entreter o leitor e documentar a história de um personagem tão importante para a comunicação, suscita questões acerca do papel do jornalista de hoje e coloca em voga a discussão sobre ética.

O livro começa com um delírio de Chatô quando estava internado por causa de uma trombose, traça brevemente sua infância para logo se aprofundar na figura controversa e sua vida repleta de aventuras e desventuras. Nas mais de 730 páginas fica claro que o que importava para Chateaubrian era exclusivamente adquirir cada vez mais poder. E não foi do nada que erigiu seu império. Entre tantos amigo e inimigos que conquistou suas relações eram instáveis, já que agia a favor ou contra determinada pessoa conforme seus próprios interesses. Por conta disso, as pessoas preferiam ficar ao seu lado do que fazer inimizade com o ‘homem com o diabo no corpo’, como era conhecido pelos censores da ditadura. Como ele mesmo dizia: “Ser prudente é antes de tudo ser medíocre.” O resultado desse comportamento estratégico misturado a tanta falcatrua foi um poderoso conglomerado composto por jornais, revistas, estações de rádio e televisão, os Diários Associados.

Em seu currículo ainda consta atuação nos negócios, na arte, bem como a fundação do Masp e influência em atos políticos – Lei “Teresoca” promulgada por Getúlio Vargas, apoio em eleição e deposição de presidente. Chatô também colecionava mulheres e filhos, apesar de ser feio e de ficar incapacitado de manter relações sexuais em virtude da trombose. Entretanto, seus relacionamentos não passavam de diversão e conveniência, já que seu foco era totalmente direcionado aos negócios. Dito isto, não é de se estranhar sua fama de pai ausente e péssimo marido.

À parte todas as polêmicas em torno de Chateaubriand, Fernando Morais não deixa de frisar seus pontos positivos. O poder de relacionar-se com políticos e pessoas influentes de forma a conseguir realizar seus intentos, o feito de ter trazido a televisão para o país e toda (r)evolução promovida na mídia, na forma de comunicar, além das gráficas e impressões. Sem esquecer da TV Tupi, que foi a emissora de televisão estreante. Outro ponto a ser mencionado é que o respeito que as pessoas tinham por Chatô se devia mais pelo medo que ele precipitava do que pela admiração, o que nem por isso deve ser descartado como um dos sucessos atingidos por ele. Também não podemos esquecer de que, fora o fato de ser uma obra extensa e detalhista que parece se perder um pouco ao final, Chatô, o Rei do Brasil tem seu valor histórico não só sobre a vida do personagem, mas também da história da República do Brasil e do panorama do século XX.

Fernando Morais é jornalista, político e escritor. Entre as biografias mais famosas que escreveu está ‘Olga’ sobre a vida trágica de Olga Benário.

Serviço
Livro: Chatô, o Rei do Brasil
Autor: Fernando Morais
Editora: Companhia das Letras
Preço sugerido: R$ 69,90




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