No livro “A imprensa e o Dever da Liberdade” o autor trata da questão inerente ao jornalista: a liberdade como direito para a prestação de um serviço à sociedade. Visto que o tema parece ter se esgotado em tantos livros, estudos e especulações, Eugênio Bucci procura trabalhar a partir de uma perspectiva diferenciada e mais profunda. Ele sai em defesa não somente da liberdade como dever, mas como um direito que deve ser exercido no mais amplo sentido do termo abarcado no jornalismo. E afirma que seu bom funcionamento depende tão somente da vigilância e da busca pela isenção. À parte isso, qualquer interferência ou posicionamento certamente o corromperá.
Para tanto, o escritor recorre a grandes pensadores e escritores, como Platão, Sartre, Saramago e Nelson Rodrigues, de quem empresta ‘O beijo no asfalto’ para usar como pano de fundo de uma intensa análise da postura profissional do jornalista. Também ilustra suas justificativas para o ponto em questão com trechos de reportagens, menção ao resultado da união de grandes conglomerados e o domínio do poder de governos sobre o que é produzido – manipulação, entre outros episódios.
Cada capítulo é composto por textos escritos entre 1997 e 2008 e tem como introdução ‘Por que o jornalista não tem o direito de renunciar à própria liberdade’. Após elucidar dúvidas acerca do objetivo do livro, o leitor acompanha relatos e diagnósticos das influências da indústria do entretenimento sobre o jornalismo em ‘… e o jornalismo virou show business’. Trazendo certa ironia na bagagem, Bucci promove a reflexão e escancara o que antes pertencia às entrelinhas quando examina a relação de um jornalista com um delegado, e faz contraponto entre arte e realidade em ‘A promiscuidade com as fontes segundo O beijo no asfalto’.
Em ‘Informação e guerra a serviço do espetáculo’ o autor coloca em pauta a fragilidade da verdade jornalística frente às ações de comunicação do governo americano antes da guerra contra o Afeganistão e o Iraque. Além de estudar como o discurso jornalístico perdeu suas características e se tornou uma fraude: o espetáculo ligado a outros interesses que não o público. Em contrapartida, em ‘Jornalistas e assessores de imprensa: profissões diferentes, códigos de ética diferentes’ a discussão se volta para a rixa entre as duas profissões díspares tratadas pelo sindicato como uma só.
No penúltimo capítulo, ‘Verdade e independência numa empresa pública de comunicação’, o autor aponta como e onde o governo se infiltra na comunicação e a toma como instrumento para propagar sua imagem e seus feitos, ferindo gravemente a essência da profissão. Também exemplifica, a partir de cases da Radiobrás, que tipo de postura deve ser adotada pelas empresas públicas de comunicação. E por fim, ‘A imprensa e o dever da liberdade’. Aqui, Bucci sinaliza a importância do exercício da isenção em coberturas relacionadas a movimentos populares e ao governo, além fazer uma análise sobre esse público de movimentos sociais e as matérias resultantes na mídia, de acordo com o público-alvo.
Eugênio Bucci é jornalista e professor doutor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Foi presidente da Radiobrás (de 2003 a 2007) e secretário editorial da Editora Abril.
Serviço
Livro: A imprensa e o dever da liberdade – A independência editorial e suas fronteiras com a indústria do entretenimento, as fontes, os governos, os corporativismos, o poder econômico e as ONGs
Autor: Eugênio Bucci
Editora: Contexto
Preço sugerido: R$ 27,00

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