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Jornalista não nasce sabendo

É com desrespeito que boicotam a profissão de jornalista e abrem espaço para a queda na qualidade dos serviços prestados por estes profissionais. Não demora muito, veremos anúncios do gênero “seja jornalista em 2 anos”; ou coisa pior… Se já estávamos com a credibilidade abalada por conta de grandes conglomerados e linhas edi(ta)toriais, imaginem agora! A informação que atinge a massa já era mero produto formatado segundo o gosto e os interesses do consumidor. Não há um fio de ética quando o assunto é conseguir um furo de reportagem, ou um fato chocante que venda mais e engrosse a receita dos veículos de comunicação. Responsabilidade social parece ser só uma palavra bonita, que desaparece quando o que importa na verdade é dizer o que as pessoas querem saber. É triste que não valorizem a importância de haver uma formação na área para manipular e transmitir informações que podem se transformar em armas, se mal utilizadas. Acredito que o problema foi atacado no ponto errado. Se ao menos avaliassem a grade dos cursos, veriam que é necessária, sim, uma formação. É absurdo pensar que qualquer um possa exercer a profissão só por ter “bom português”. Quem sabe daqui uns anos percebam isso. Espero que não seja tarde demais… Veja o que diz o jornalista SILVESTRE GONÇALEZ .

Em minha carteira de trabalho, na página oito, existe uma folha com o título de Registro de Profissões Regulamentadas na qual sou registrado desde 07/07/1980 como Jornalista Profissional Diplomado, formado pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) e reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação).

Agora que o meu diploma foi “cassado” pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o que farei com ele e quem vai ressarcir os quatro anos que paguei mensalmente o curso?

Alguns amigos deram algumas sugestões, como por exemplo, guardá-lo e mostrar para os meus netos que essa profissão um dia exigia diploma, levar ao museu como forma de relíquia, colocar no guarda-roupa com algumas bolinhas de naftalinas ou pendurar na parede igual os retratos dos avôs.

Quanto ao ressarcimento das mensalidades, acho que vou ter que contratar um advogado. Desde a minha infância sempre soube que as pessoas podem tirar a sua casa, o terreno, as jóias, as roupas, o carro ou qualquer bens que você possua, exceto o diploma pelo qual estudou. Mas, de acordo com o Supremo, até isso pode ser tirado.

Hoje, olho para o meu diploma e me vem à mente a música da banda Calcinha Preta: “Você não vale nada, mas eu gosto de você”.

Eu sinto muita tristeza ao ver o fim do diploma, mas não dos conhecimentos adquiridos no curso de jornalismo. Creio que com essa decisão do Supremo os professores, os alunos e as faculdades saíram perdendo.

O Brasil está crescendo vertiginosamente no âmbito econômico e comercial, mas está na contramão mundial desprezando a graduação de um curso tão relevante como o de jornalista, que tanto contribui denunciando os desmazelos de muitos políticos e funcionários públicos que abusam do poder e da fé pública em benefício próprio.

Sei que para escrever é como tocar um violão, precisa de dom e talento. Mas também sei que um curso acadêmico é essencial para o aprendizado, aperfeiçoamento e aprimoramento.

É evidente que na vida profissional sobressai aquele que se qualifica, busca uma boa faculdade, faz mestrado, doutorado e está sempre se atualizando com as novas tecnologias, usando os conhecimentos com ética e credibilidade.

Você sabe o que se aprende num curso acadêmico de jornalismo? Não? Aprende-se português, filosofia, história, legislação, sociologia, ética do jornalismo, formas adequadas de tratar um fato, edição, doutrinas políticas, psicologia, leitura e produção de textos, técnica de pesquisa e reportagem, entre outras disciplinas.

São técnicas e disciplinas específicas para se qualificar e se enquadrar nas normas de redação de um jornal ou de agência de notícias.

Isso não significa que as pessoas com essa formação são exímias narradoras dos fatos. Essas técnicas aliadas ao talento e ao contínuo aprimoramento do conhecimento formam pessoas aptas a exercerem a atividade específica.

Quero esclarecer que um simples papel colorido com o logotipo da faculdade não transforma uma pessoa num bom jornalista, mas com o diploma nas mãos e conhecimento da área lhe dá o direto de galgar boas posições profissionais.

SILVESTRE GONÇALEZ, Jornalista profissional “diplomado” – Sumaré-SP

Fonte: JORNAL TODODIA – Edição, 03 de julho de 2009 – Ano XIII – nº 4.632


1 Resposta para “Jornalista não nasce sabendo”


  1. 1 Gilberto Gomes alves
    Dezembro 7, 2009 às 7:50 pm

    Caro Silvestre jornalistas iguais a você o Brasil esta cheio você não tem compromisso com nada nem com ninguem.só defende interesses proprios .portanto esta ai mais alguma coisa pra você reclamar,pois sua vida é reclamar de tudo e de todos.


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